A expressão “infraestrutura urbana” envolve diversos elementos, entre eles os serviços ou obras públicas de uma cidade, como rede de saneamento básico e de energia elétrica, edificações públicas, rede viária e de drenagem pluvial etc. Tais elementos, além de representar um perfil urbano, fazem parte da história da cidade e impactam diretamente na sua paisagem.
3.1 O abastecimento de água potável no perímetro urbano - desafios e conquistasA conquista da população porto-firmense, em termos de ter água potável e canalizada em suas residências, foi sendo obtida ao longo de muitas décadas. Conforme relatos dos moradores e registros documentais, a partir da emancipação da cidade, muitos políticos e moradores se empenharam em prol desse abastecimento na área urbana.
Até por volta da década de 1980, a população ainda convivia com um abastecimento de água precário, de má qualidade e uma parte dos moradores não tinha água encanada em suas residências, sendo necessário, então, buscar água em determinados pontos da cidade, onde havia caixa d'água (por exemplo, na Rua João Pinheiro) e em minas (pequenas nascentes), como a que existe até hoje na Rua Bom Destino, num lugar chamado Abrigo das Lavadeiras. As águas desta e de outras minas eram consideradas mais límpidas, mais adequadas para lavar roupas claras ou brancas e para o consumo humano.
Do lado esquerdo do rio Piranga havia uma caixa d'água próxima do comércio do Senhor “Carlito Neves”. Além disso, existiam duas cisternas, uma na Praça Juquinha Moreira, e outra no “Beco Sá Cota” (uma na travessa que liga as ruas Dom Silvério e Santo Antônio), mas insuficientes para atender a demanda da população.
Dentro de uma lógica de desenvolvimento e expansão urbana, as conquistas relacionadas à canalização da água do Laranjal (área rural, próxima à cidade de Porto Firme) foram marcos importantes para este município. Porém, segundo relatos, a água vinda do Laranjal, não tinha parte do trajeto canalizado e, por isso, quando chovia, ela ficava extremamente suja.
3.2 Rio Piranga e a Ponte José Antônio de Araújo QuintãoAlém de compor a paisagem urbana de Porto Firme, é inegável a importância do rio Piranga, que corta a cidade, e da Ponte José Antônio de Araújo Quintão, do ponto de vista cultural e econômico para a cidade. O rio Piranga, em tempos mais recuados, chamava-se Guarapiranga. Ele nasce na Serra da Mantiqueira, município de Ressaquinha, passa pelos municípios de Itaverava, Catas Altas da Noruega e Piranga, recebendo o rio Xopotó em Presidente Bernardes, e cortando a cidade de Porto Firme. A partir do município de Ponte Nova, recebe outro nome – rio Doce.
A antiga freguesia de Guarapiranga (atual município de Piranga) foi, entre os séculos XVIII e XIX, uma região possuidora de veios auríferos e de terras férteis, propícias às atividades agropecuárias. Assim, além destas atividades econômicas, os povoados dos vales do rio Guarapiranga e do rio Doce tinham uma articulação com a área mineradora da região central. Isto foi fundamental para o crescimento da ocupação pela população branca nestes antigos arraiais. Dentre eles estavam os povoados de Tapera (atual cidade de Porto Firme) e Calambau (atual Presidente Bernardes), principalmente entre as décadas de 1730 e 1750.
As invasões das áreas onde viviam os povos nativos (principalmente os indígenas Botocudos e Puris) pelos homens brancos, especialmente os bandeirantes paulistas, visavam às atividades econômicas e foram marcadas por avanços e retrocessos. Com a diminuição do metal precioso ao longo do tempo, o leito do rio também passou a ser fonte de outras atividades econômicas, então relacionadas à agropecuária ou à extração de areia, cascalho ou pedregulho. Atualmente, em Porto Firme, esta última atividade ocorre em áreas um pouco afastadas do perímetro urbano.
Vemos, portanto, que desde o começo do povoado até os dias atuais, o rio Piranga é essencial para a sobrevivência dos habitantes. A água que abastece esta cidade é oriunda desse rio desde a década de 1990, por meio de um convênio junto à Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). E foi a partir disso que os porto-firmenses passaram a ter uma água tratada e canalizada em suas residências na área urbana.
Segundo o Instituto Água e Saneamento, Porto Firme ainda não possui uma política ou fundo municipal de saneamento e não apresenta ações relevantes voltadas para a proteção dos seus recursos hídricos. Grande parte da rede de esgoto é direcionada para o rio Piranga, que corta a cidade. De acordo com informações do Instituto, em 2013, menos de dois por cento do esgoto local era manejado adequadamente. Sobre isso, o município não forneceu informações na última coleta de dados realizada em 2020 pelo Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS) e também não houve informações referentes aos resíduos sólidos, prática de coleta seletiva, domicílios sujeitos a inundações e drenagem de águas pluviais. Além disso, o índice de perdas na distribuição de água na cidade era de 31,82%, ou seja, uma parte significativa da água captada era perdida na rede antes de chegar às economias. Tal índice municipal era superior ao do estado (30,89%) e do país (29,1%). Esses dados demonstram que a administração municipal ainda precisa investir em melhorias nos aspectos relativos ao saneamento básico. Ter um abastecimento de água adequado (envolvendo canalização, tratamento e distribuição) é algo indispensável, pois isso impacta diretamente na qualidade de vida dos habitantes da área urbana.
O rio Piranga é um divisor da cidade em duas regiões. Uma mais nova, do lado direito do rio, onde foram construídas as principais edificações públicas atuais, o Paço Municipal, Instituições de Ensino, a Câmara Municipal de Porto Firme, os postos de saúde e as escolas, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, o centro comercial etc. É nesta região que estão as principais praças da cidade, sendo uma delas a Praça Juquinha Moreira, localizada a poucos metros das margens do rio, e também a Praça Padre Raimundo.
Já à margem esquerda do rio Piranga ainda restam vestígios da formação inicial da cidade de Porto Firme, na sua parte mais elevada, dentre os quais podemos citar a Igreja Nossa Senhora do Rosário e o cemitério. Algumas características evidenciam uma formação espontânea, como a ausência de planejamento urbano, principalmente na questão do formato das ruas e dos passeios estreitos. Nesta margem do rio havia, ainda, a Rodoviária Tatão de Deco, o Hospital Dom Silvério, entre outras edificações.
A importância do rio Piranga que atravessa a cidade no conjunto paisagístico, cultural e econômico de Porto Firme é algo inquestionável. Sua existência, enquanto um divisor natural da cidade em dois lados, e a construção da Ponte José Antônio de Araújo Quintão sobre ele foram fatores decisivos para a transferência do antigo núcleo urbano e a transformação da paisagem da cidade. Além do impacto na vida dos habitantes locais e na paisagem, o rio Piranga e a referida ponte impactaram diretamente nas atividades econômicas das cidades de Porto Firme, Piranga, Presidente Bernardes, Conselheiro Lafaiete etc.
Localização do rio Piranga e da Ponte José Antônio de Araújo Quintão, na malha urbana da cidade
Segundo relatos, o nome dado à ponte foi uma homenagem ao Senhor José Antônio de Araújo Quintão (Juca Quintão), considerado um grande líder na época em que o Distrito ainda se chamava Porto Seguro. Ele foi o construtor da ponte de braúna, com materiais trazidos do Espírito Santo por meio de carretões e carros de bois, tendo sido concluída em 1922. Esta obra foi dinamitada em 1930 pelos aliados do ex-presidente Arthur da Silva Bernardes. O ocorrido foi durante a Revolução de 30, no governo de Getúlio Vargas, numa tentativa de dificultar o acesso do décimo batalhão de Ouro Preto a Viçosa, MG, o qual intencionava aprisionar o ex-presidente.
Antes da versão da ponte de cimento armado que existe hoje, houve outras quatro. Todas foram construídas no mesmo local. Esta obra foi iniciada quando Sebastião Vidigal Fernandes (Tatão de Deco) era prefeito de Piranga, continuada na gestão municipal do primeiro prefeito da cidade, Francisco Xavier Chaves Paes (Neném Paes), e inaugurada em 1959, pelo então prefeito de Porto Firme, João José de Barros (neto do Juca Quintão). Tal construção contou também com o apoio do Dr. Cyro Maciel Aguiar, deputado estadual.
As Figuras a seguir, apresentam a Ponte José Antônio de Araújo Quintão e uma parte da margem esquerda do rio Piranga. No interstício de 1980 a 2017 não houve alteração significativa neste patrimônio. Por outro lado, as imagens evidenciam uma grande transformação da paisagem, especialmente na margem esquerda. Na primeira imagem, a paisagem desta área no passado possuía uma maior cobertura arbórea e um menor número de construções, sendo, portanto, um pouco mais rústica. Dentre as construções mencionadas estão duas edificações, de dois pavimentos, ainda existentes: uma que pertenceu ao ex-prefeito de Piranga, “Tatão de Deco” (já falecido) e a outra de um ex-vice-prefeito, Geraldo Soares.
Ponte “José Antônio de Araújo Quintão'', década de 1980

A segunda imagem acima evidencia a estrutura lateral da ponte, uma parte do rio Piranga. Este patrimônio público foi inventariado em 2009 pelo Conselho de Patrimônio de Porto Firme. Segundo o Conselho, esta ponte possuía uma estrutura relativamente adequada até o início do século XXI. Os únicos atributos negativos eram a sua largura e dos dois passeios (os quais levavam a riscos de acidentes entre veículos e pedestres). Nesta avaliação, a equipe apontou que o estado de conservação e de integridade estrutural do imóvel era bom. Apenas sugeriram algumas pequenas intervenções, entre elas, reparos nos guarda-corpos, no piso dos passeios, pintura e na fiação elétrica. Tais necessidades de reparos foram apontadas como oriundas do desgaste natural ao longo do tempo e da falta de manutenção periódica.
Entre os anos de 2017-2020, a administração municipal realizou uma grande intervenção nessa ponte. Foi construída uma passarela para pedestre, em uma das suas laterais, e também instalada uma estrutura metálica, que passou a impedir o trânsito dos veículos maiores e mais pesados sobre ela, inclusive os transportes de passageiros coletivos. O argumento da administração municipal para realização desta obra foi justificado pela necessidade de correções estruturais e que esta seria a melhor alternativa de manter a integridade da ponte por um período longo. Além disso, justificou-se a ação pela necessidade de maior segurança dos transeuntes e dos veículos.
Do ponto de vista estético, a maioria da população aprovou as escolhas e intervenções realizadas. Uma crítica feita por alguns moradores foi de que, com a construção da passarela, houve redução na largura da ponte. Com isso, a via, que é de mão-dupla, deixa os motoristas de veículos de médio porte em situações um pouco delicadas.
3.3 As instituições de Educação BásicaA construção e a organização das três primeiras escolas criadas em Porto Firme na área urbana, a partir da década de 1950 – a Escola Estadual Imaculada Conceição, o Ginásio Mater Et Magistra (este fazia parte de um sistema privado de ensino) e a Escola Estadual Solon Ildefonso – só se tornaram realidade a partir de uma conjuntura política nacional, das ações da elite dominante, da administração municipal, das lideranças religiosas e da comunidade porto-firmense. Estas três instituições educativas foram construídas nas proximidades da Nova Matriz e não há nenhuma escola na margem esquerda do rio Piranga. Estas escolas fizeram e ainda fazem parte dos elementos estruturantes do espaço central de Porto Firme, como veremos a seguir.
3.3.1 A Escola Estadual Imaculada Conceição e o Ginásio Mater Et MagistraA atual Escola Estadual Imaculada Conceição (EICON) chamava-se, no passado, “Grupo Escolar Imaculada Conceição”. Pelos registros históricos e depoimentos, é possível inferirmos que a construção deste “Grupo Escolar” tenha sido realizada entre o final da década de 1940 e início da década de 1950. A construção de uma escola era uma das exigências para a efetivação da emancipação da cidade e o seu desmembramento de Piranga. Esta obra se efetivou porque havia fortes lideranças políticas interessadas e empenhadas neste investimento, como o então prefeito de Piranga, “Tatão de Deco”, o Deputado Cyro Maciel e outros líderes locais. Cientes das exigências legais sobre a oferta de uma educação primária, pública e gratuita, perceberam a necessidade e os possíveis benefícios para o processo emancipatório de Porto Firme.
Nesse sentido, movidos por interesses diversos e, ao mesmo tempo, convergentes, empenharam-se e conseguiram inaugurar o “Grupo Escolar” antes de 1953. O mesmo foi construído num terreno doado pela Igreja, de topografia plana, espaçoso e equivalente a um extenso “quarteirão”. Na circunstância, empreenderam uma edificação robusta e impactante, com traços típicos da cultura e do contexto social daquele período, localizada próxima à Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, numa parte um pouco mais baixa.
Grupo Escolar Imaculada Conceição, década de 1960
O engenheiro Silvestre, de Belo Horizonte, foi o responsável pela construção desta instituição escolar e a primeira diretora foi Otília Maciel Vidigal (Esposa do primeiro presidente da Câmara Municipal de Porto Firme - Gastão Maciel Vidigal, entre 1954 a 1958).
No tocante à infraestrutura do “Grupo Escolar Imaculada Conceição” (atual EICON), desde a sua construção inicial, ela já possuía um corredor em seu entorno, com uns detalhes em “arcos”, cercado por um muro de pequena altura. Naquela época, este muro era suficiente para atender às necessidades de delimitação do espaço, de proteção e de respeito. O edifício escolar foi construído com afastamento e num nível mais elevado do que as vias públicas com as quais faz divisa: Travessa Joaquim Custódio (frente/ entrada da escola), Rua Coração de Jesus e Avenida 18 de Agosto. Inicialmente, foi construído apenas um banheiro feminino para as professoras, já que não havia homens trabalhando naquela escola. Conforme demonstra a Figura abaixo, na década de 1970 havia uma cantina localizada dentro do quarteirão do Grupo Escolar, mas que não era unificada em termos de paredes junto ao prédio. O acesso a ela se dava por meio externo à edificação principal e o seu entorno era descoberto, não possuindo piso. As pessoas circulavam sobre o mato ou a terra do chão. Ao longo do tempo, isso foi alterado e a cantina foi incorporada ao prédio interno da escola.
Antiga cantina do Grupo Escolar Imaculada Conceição, década de 1970

Esta edificação escolar passou por algumas reformas e ampliações, dentre elas, em 1981, “ampliada para o ensino de 5ª a 8ª série do 1º e do 2º graus” (autoridades que participaram deste processo: Dr. Cyro Aguiar Maciel, deputado; Ciro Santana Maia, prefeito de Porto Firme; Maria José Sena Maia, inspetora escolar). Em 2002, passou por uma nova reforma, promovida pelo governo do estado de Minas Gerais (Itamar Franco, governador, Murílio Hingel, Secretário de Educação).
Na década de 1960 houve a criação do Ginásio Mater Et Magistra, um colégio privado, pertencente à igreja católica, que oferecia o que atualmente consideramos a segunda etapa do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano escolar). Sua administração ficava a cargo do pároco local e ele era custeado pelas famílias dos estudantes. Funcionava numa edificação que hoje não existe mais. Na atualidade, resta apenas uma pequena parte dela, ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. O responsável por esta construção foi o “engenheiro” Luís Cristo (um autodidata).
O fundador deste Ginásio particular foi o Padre Antônio Guisoli Rubim e o seu diretor era, em 1968, o Padre Dr. Antonio Mendes. Nesse mencionado ano houve uma cerimônia de formatura de vinte concluintes do Curso Ginasial. Nesse evento, quatorze professores foram homenageados, dentre eles: Adelaide Campos Santana, Dinorah Santana, Dirceu Jorge da Silva, Lourdes Santana e Neire Maciel Noé. Dez anos após a emancipação da cidade, o acesso ao ensino secundário (antigo curso ginasial) ainda era de acesso restrito aos que podiam pagar.
Algumas famílias porto-firmenses mais conscientes sobre a importância da educação formal na vida de uma pessoa se sacrificavam para sustentar os filhos/filhas numa escola particular, como no caso Ginásio Mater Et Magistra, pois percebiam que, naquele período, era a única alternativa viável para as crianças e os adolescentes concluírem a segunda etapa do Ensino Fundamental. Somente as quatro primeiras séries desta etapa eram oferecidas gratuitamente pelo poder público.
Ao longo do tempo, algumas conquistas sociais foram ocorrendo, dentre elas, a instalação do Ginásio Estadual, em 1977, ou seja, houve uma transferência do “Ginásio Mater Et Magistra” para a Escola Estadual Imaculada Conceição (EICON). Esta escola só oferecia os primeiros anos do ensino primário. Portanto, foi ampliada e passou a oferecer também da 5ª à 8ª série (atual 6º ano ao 9º ano do Ensino Fundamental), de forma pública e gratuita. Porém, a continuidade dos estudos (atual Ensino Médio e o Ensino Superior) só era possível, em outras cidades, já que em Porto Firme só era oferecido até o “ginasial”.
Conforme a Figura adiante, a E.E Imaculada Conceição, pintada recentemente na cor azul, permanece tendo um único pavimento, com várias salas de aula, refeitório, laboratório de informática, biblioteca, pátio descoberto, internet banda larga, e seu telhado é do tipo colonial. O funcionamento desta escola é nos dois turnos, manhã e tarde, com várias turmas do Ensino Fundamental, anos finais (6º ao 9º ano) e Ensino Médio (3 anos de duração, final da Educação Básica). Nesse âmbito, a escolha da cor, bem como as definições dos espaços, dos materiais, horários de funcionamento, tudo isso corresponde às escolhas, demandas, à cultura, às tecnologias e aos recursos (materiais e humanos) disponíveis em cada contexto histórico.
E. E. Imaculada Conceição, atual
A estrutura física básica desta edificação quase não foi alterada. As intervenções executadas foram mais no sentido de ampliação, tendo sido construídas novas salas de aula, banheiros, reparos nos telhados, cor da pintura e aumento da altura do muro. Assim, a Escola Estadual Imaculada Conceição também é um importante elemento da paisagem urbana de Porto Firme.
3.3.2 A Escola Estadual Solon IldefonsoA E.E. Solon Ildefonso foi a segunda escola estadual a ser construída na área urbana da cidade, na Rua Dom Silvério, aproximadamente na década de 1960, por meio das autarquias mineiras – Campanha de Reparo e Restauração dos Prédios Escolares do Estado (CARRPE, entre 1958-1967) e Comissão de Construção, Ampliação e Reconstrução dos Prédios Escolares do Estado (CARPE), criada pela Lei nº 4817/1968, que vigorou até 1987.
A escolha do nome desta instituição foi uma homenagem a um médico e ex-prefeito da cidade de Piranga, conhecido como “Doutor Solon”. Ele vinha de Piranga a cavalo para atender os pacientes de Porto Firme nas suas próprias casas. Quanto à definição do local onde a E. E. Solon Ildefonso seria edificada, houve divergências no processo decisório envolvendo a urbanização de Porto Firme. Segundo relatos, alguns líderes queriam que ela fosse edificada num local próximo do antigo Hospital Dom Silvério, mas a decisão que prevaleceu foi erguê-la onde ela se encontra até a atualidade, próxima da Igreja Matriz. Esta edificação foi construída com um maior afastamento da margem da Rua Dom Silvério do que as casas.
O terreno onde foi edificada esta escola, na década de 1960, inicialmente foi cedido pela Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Porto Firme e formalmente doado à prefeitura de Porto Firme em 1981. Neste período, houve uma ampliação da área ocupada pela escola, por meio da desapropriação 300m2 da propriedade do Senhor João José de Barros (Lei 470, de 24 de janeiro de 1981). A partir de então, o poder executivo municipal repassou estes terrenos ao governo do estado de Minas Gerais (Lei 472 e Lei 473, de 24 de janeiro de 1981).
Várias cidades da Zona da Mata Mineira (Porto Firme, Brás Pires, Ubá, Guiricema e Itaverava) e de outros estados brasileiros, como São Paulo, também receberam as “Escolas de Lata”. No caso de Porto Firme, a sede provisória “de latas” da E.E. Solon Ildefonso funcionou entre os anos de 1962 e 1982, aproximadamente. Estas escolas foram construídas seguindo o projeto padrão modular da Campanha CARRPE. Pelo que observamos na Figura, adiante, a estrutura dessas escolas de latas eram precárias, especialmente nos aspectos térmicos e acústicos. Estas edificações escolares estavam previstas para funcionar provisoriamente, até que a construção de prédios definitivos fosse realizada, mas, na realidade, muitas funcionaram por aproximadamente vinte anos ou mais.
A nova edificação em alvenaria foi concluída em 1982 (Figura adiante, à direita), durante o Governo Francelino Pereira dos Santos, por meio do Sistema Operacional de Educação, CARPE. O formato destas escolas demonstrava a adoção de um projeto padrão de construção do governo estadual mineiro. Nesta nova obra mantiveram o endereço, mas substituíram os materiais metálicos por de alvenaria, como tijolos de barro, concreto armado e outros. Da edificação de latas, só foi possível reaproveitar o material metálico na cobertura do telhado do edifício sede da Prefeitura de Porto Firme.
E.E. Solon Ildefonso, em 1966 e em 2014
Esta edificação escolar, representada pela imagem acima, à direita, e outras realizadas pela CARPE caracterizam-se por apresentar os seguintes aspectos: arquitetura moderna, utilização da chamada técnica brutalista ou brutalismo, dimensões significativamente maiores que os demais lotes das cidades, exceto os das Igrejas Matrizes; possuir um ou dois pavimentos, boa ventilação, conforto térmico, baixo custo e uma boa aceitação dos usuários. A E. E. Solon Ildefonso de Porto Firme se destaca nesta paisagem urbana pela sua singularidade. Um dos seus diferenciais dentre as demais construções próximas é a existência de hibiscos na maior parte do seu entorno.
Dentre as intervenções realizadas pelo governo do Estado de Minas Gerais nesta escola porto-firmense estão: Setembro/1982 - conclusão da nova edificação de alvenaria; Junho/2005 - conclusão da ampliação da edificação; Abril/2008 - reforma.
Em 2020, a E. E. Solon Ildefonso possuía várias salas de aula, internet banda larga, refeitório, laboratório de informática, biblioteca, pátio descoberto, área verde e outras. É uma escola pública estadual com funcionamento nos dois turnos, manhã e tarde, com várias turmas, dos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) e também atendimento educacional especializado (AEE).
As escolas estaduais supracitadas e o Ginásio Mater Et Magistra certamente marcaram a vida dos moradores desde o início da década de 1950 e contribuíram diretamente não só na instrução formal das crianças e adolescentes, mas também impactaram na formação desta paisagem urbana. Mais recentemente, a prefeitura construiu a Escola Municipal de Educação Infantil Sossego da Mamãe, no Bairro Chiquinho da Ilha. Desta forma, além desta escola municipal, a cidade hoje possui na sua área urbana duas escolas estaduais (Imaculada Conceição e Solon Ildefonso).
3.4 A Prefeitura Municipal de Porto FirmeO Paço Municipal é um dos elementos da paisagem urbana que está presente desde a sua municipalização e seu desmembramento da cidade de Piranga, entre dezembro de 1953 e janeiro de 1954. Assim, em Porto Firme, inicialmente esta sede funcionou numa casa alugada (Figura adiante) do lado esquerdo do rio Piranga, bem próximo da atual Ponte José Antônio de Araújo Quintão. Ela permaneceu neste local até o início dos anos 80. Hoje, no local há um pequeno mercado.
Antiga sede da prefeitura, década de 1950
A atual sede da prefeitura foi edificada na Avenida 18 de Agosto, no novo núcleo urbano da cidade. Sua construção teve início entre 1971 e 1972, durante a gestão do prefeito Ciro Maia, mas foi interrompida pela nova administração municipal entre os anos de 1973 e 1976, tendo sido reiniciada em 1977 e inaugurada em 18 de agosto de 1981, pelo mesmo prefeito que havia iniciado a obra. Isto foi possível pelo fato de ele ter se candidatado e ter sido novamente eleito, para um novo mandato, de 1977 a 1981. O responsável pela construção desta edificação foi, também, o “engenheiro” Luís Cristo, residente na cidade.
Início da construção da prefeitura, à esquerda e o prédio atual , à direita
O objetivo da construção deste Paço Municipal era reunir todos os órgãos da administração municipal em um único local. Ademais, o prédio já foi sede do cartório, da agência dos correios (até 1993) e da EMATER. No ano de 2012, todos os setores da administração municipal funcionavam lá, no primeiro pavimento: saúde, farmácia, SIAT, assistência social, agricultura, transporte e obras, tributação/arrecadação, além de banheiros. No segundo pavimento: gabinete do prefeito, recursos humanos, educação, cultura, licitação, setor de compras, contabilidade, arquivo, cozinha e banheiros.
Este prédio tem um hall central, com uma escada que dá acesso ao andar superior, dois pavimentos e um subsolo. Seu estilo é considerado moderno, com traços retilíneos, e o telhado quase não aparente. Naturalmente, esta edificação passou por várias intervenções ao longo do tempo, entre elas, a pintura e o acesso ao prédio, que além de escadas passou a ter rampas.
Prédio da prefeitura, antes da instalação da rampa, anterior ao ano de 2012
Ao longo do tempo, a administração municipal de Porto Firme fez alguns ajustes – pequenas intervenções que não modificaram a estrutura física básica do edifício-sede da prefeitura. Alguns setores, secretarias e serviços que funcionavam internamente foram para outros espaços. A justificativa para esta ação é de que as demandas vão se alterando ao longo do tempo. Esta edificação também é um importante elemento da paisagem urbana de Porto Firme.
Atualmente, o prédio da Prefeitura Municipal de Porto Firme possui um pequeno jardim com gramíneas em frente, uma faixa de circulação larga e via de mão dupla, com um canteiro central arborizado. A maior parte desta via e do entorno do prédio é pavimentada com asfaltamento, numa região bastante plana. Há um estacionamento junto à Praça Padre Raimundo, na lateral do prédio, que atende principalmente aos funcionários da prefeitura e ao público em geral.
Em face do exposto, neste item do site abordamos algumas ações essenciais para a sobrevivência dos habitantes na cidade, bem como as primeiras iniciativas relativas à infraestrutura urbana e algumas edificações realizadas pela administração pública na sede do município (canalização de água, construção de instituições de ensino, da Ponte José Antônio de Araújo Quintão e do Paço Municipal), bem como algumas alterações delas ao longo do tempo. Esses elementos se tornaram componentes centrais desta paisagem urbana e na memória da população. Ademais, as primeiras ações e edificações foram fundamentais para o ordenamento urbano relativo à circulação, educação, religiosidade e administração pública na nova região constituída no lado direito do rio Piranga. O contexto histórico desses elementos, as transformações e as edificações são essenciais para compreendermos a paisagem urbana atual de Porto Firme.